Potencial Urbano: Camelôs do Alecrim
Carlos Milhor, 09 de setembro de 2017

Porque os vendedores ambulantes são chamados de camelôs?
Tudo indica que esse estranho apelido nasceu nas ruas da França. No século 12, a palavra camelot – provavelmente, uma modificação do árabe khmalat, que significava “tecido rústico e felpudo” – entrou para o vocabulário francês para designar um tipo de tecido feito com pêlo de camelo. Importado de países do norte da África e do Oriente Médio, o produto era muito apreciado por sua textura macia, pelo brilho e por ser um bom isolante térmico. “No comércio de Paris, esse tecido popular era anunciado aos berros pelos vendedores, que foram batizados com o nome da mercadoria que vendiam. O problema é que, muitas vezes, o pêlo de camelo não passava de uma imitação barata de pêlo de cabra. Assim nasceu o sentido que associa o camelô a um vendedor de produtos falsificados”, afirma o etimologista Deonisio da Silva, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). Mais tarde, variações na língua francesa assimilaram o sentido pejorativo com o verbo cameloter.
Registrado pela primeira vez no século 17, o termo significa “vender quinquilharias ou proceder sem polidez”. Dois séculos depois, a palavra camelote foi usada com o sentido de “mercadoria grosseira, de acabamento insuficiente”. Da França, o vocábulo cruzou o oceano Atlântico e aportou no Brasil, no início do século 20, onde manteve o sentido depreciativo.
(Redação Mundo Estranho access_time19 ago 2016, 17h22 - Publicado em 18 abr 2011, 18h53)

O poder público e as demandas sociais
De um lado, quem não acha ótimo encontrar um vendedor de guarda-chuva e capa no meio da rua quando começa a chover? Ou topar com um churrasquinho ou um carrinho de frutas na hora em que a fome aperta? Ou mesmo encontrar produtos bem mais baratos que os de shoppings, por exemplo?
De outro lado, porém, existe ao mesmo tempo uma percepção de que o comércio ambulante atrapalha o fluxo de pedestres nas calçadas, ou que estes trabalhadores são “muambeiros” que promovem uma concorrência desleal com o comércio formal…
Ambulantes, camelôs e barraqueiros fazem parte da história e da cultura das cidades. Está mais do que na hora de as prefeituras reconhecerem a importância dessas atividades para a economia urbana e, em diálogo com esses trabalhadores, elaborar políticas que de fato os integre.
Os governos federal, estadual e municipal devem promover a integração progressiva do comércio informal, disponibilizando espaços adequados para sua incorporação na cidade.
Obviamente que ninguém quer que a cidade seja inteiramente tomada por camelôs, nem que as pessoas possam vender o que quiserem, onde quiserem, sem nenhuma organização e planejamento. Mas também é óbvio que a cidade precisa de espaços comerciais que não são os espaços das lojas. Isso pode ser equacionado, mas não simplesmente retirando os comerciantes da rua, cassando a permissão e impedindo-os de trabalhar, sem nenhum diálogo e sem ofertas concretas de alternativas.
Uma ação para melhoria dos espaços urbanos ocupados pelos camelôs deve ser feita em diálogo com as pessoas afetadas e com oferta de alternativas que possibilitem a existência de um comércio popular, com vendedores autônomos, que precisam ter espaço de trabalho na cidade. (Rolnik, Raquel – 2012)

Respostas possíveis
Cada cidade, ou local da cidade, possui uma determinada característica, seja natural ou cultural, neste caso, construída através da história das pessoas que a ocuparam e outras que ocupam determinado local. Uma característica não deve ser pensada como um problema e sim como uma possibilidade para um leque de várias respostas possíveis. Estamos acostumados a resolver questões com uma única resposta (Garcia, Natália, 2015), o que faz com que nos limitemos a trabalhar determinadas características como problema e não como solução.
A principal característica do Alecrim é o comércio, e em consequência temos um polo de atração de pessoas para o bairro, portanto um alto índice de pessoas que circulam pelas principais vias do bairro, transformando o espaço urbano num rico repertório social, cultural e econômico. Sendo assim, temos variadas formas de troca de experiências e de mercadorias, seja formalmente ou informalmente. Isso, ao contrário do que o censo comum imagina, é a grande riqueza do bairro. Neste contexto temos vida urbana, temos cultura, temos segurança, temos uma economia dinâmica envolvendo diversos atores sócio econômicos, dentre eles os camelôs, ambulantes e/ou comerciantes informais. A diversidade e a flexibilidade, portanto, são dois elementos que mantém um local vivo e dinâmico por longo período de tempo.
Quais são os potencias da cidade e como ativá-los? Temos que identificar não somente os problemas locais, mas também os potenciais. Mapear esses potenciais nos permite encontrar caminhos de como ativá-los. Precisamos um repertório de ideias para resolver os problemas e ativar os potenciais, abrir espaço para análise de propostas que deram certo em outros locais; abrir espaço para quem está pensando no assunto e tem algo a propor. Temos que permitir que projetos pilotos sejam testados, verificando qual a melhor resposta para o local antes de aplicar as ideias de maneira definitiva e em larga escala.
Percebemos que o comércio informal de alguma forma colabora para “completar” aquilo que o comércio formal não é capaz de oferecer, e isso não é um problema, mas sim um potencial que atrai muitas pessoas para a região, dinamizando ainda mais a economia. Portanto, trabalhar a questão com esse olhar sistêmico e complexo que é a cidade, é a melhor forma de organizar espaços que se complementam e que não devem ser exclusivos ou excludentes. Além disso, as propostas de intervenção na área devem levar em conta respostas possíveis geradas pelos usuários e pelos trabalhadores formais e informais do local. Deve-se abrir espaço para o diálogo, onde diversas respostas poderão ser analisadas e compreendidas por todos, fazendo com que cada ator sinta que faz parte do processo de construção da cidade e incorpore ao seu cotidiano o entendimento do espaço público como sendo o espaço de todos, portanto coletivamente (re)construído, remodelado e sendo cuidado por todos. Um espaço democrático, o que também quer dizer, um espaço onde existam regras de conduta para que todos possam compartilhar seus desejos, sonhos e necessidades sem prejudicar a coletividade.
Gerenciar a cidade é ativar os potencias existentes no seu território, juntando os desejos com as possibilidades existentes. Precisamos analisar se as interferências propostas irão melhorar ou piorar a relação entre as pessoas no local. Caso a tendência seja piorar não podemos fazer, pois o risco de dar errado aumenta exponencialmente. Portanto temos que fazer intervenções que venham melhorar as relações a partir de potenciais existentes, ou seja, incorporando de forma planejada.
                Há no Alecrim, portanto, grande potencial a ser trabalhado, de forma a garantir a acessibilidade das pessoas, melhorando os espaços para os pedestres, afinal, o andar a pé por entre barracas e lojas é o principal meio utilizado para as compras no local. Atualmente as calçadas estão tomadas pelas barracas, o que dificulta o acesso às mesmas e às lojas formais de forma adequada, com conforto e segurança para todos. Não atendem, portanto, as normas legais de acessibilidade ou uso do solo, dentre outras.
                As principais vias por onde passa o transporte coletivo são as que possuem o maior número de barracas, o que demonstra o potencial dos pedestres na região. Ruas onde não há circulação dos coletivos e paradas de ônibus, não atraem os camelôs, portanto há uma relação direta entre uso do espaço por pessoas caminhando e a apropriação do comércio informal desses espaços de uso público.
                Da maneira como ocorre a ocupação informal atualmente, prejudica-se a coletividade, tanto a nível do pedestre quanto do transporte coletivo e o individual, pois os conflitos entre modais geram efeitos negativos no sentido de segurança viária, além do desequilíbrio na divisão dos usos dos espaços de circulação e potenciais acidentes causados pela estrutura não planejada, muitas vezes inadequada para o local.
                Com calçadas estreitas sendo ocupadas, a circulação de pessoas fica comprometida, sendo muitas vezes obrigadas a circular pelo leito carroçável (junto com os automóveis), correndo sérios riscos de sofrerem graves acidentes. Um ordenamento conjunto deve ser planejado, iniciando-se pelos pedestres, ciclistas, circulação de coletivos, estacionamentos rotativos, circulação e estacionamento de veículos de cargas e mercadorias, ou seja, um planejamento de longo prazo que deve ser conduzido de forma participativa conforme descrevemos acima.
               
Bibliografia:
https://mundoestranho.abril.com.br/cultura/por-que-os-vendedores-ambulantes-sao-chamados-de-camelos/
https://raquelrolnik.wordpress.com/2012/06/01/fim-do-comercio-ambulante-ou-fim-dos-ambulantes/
https://raquelrolnik.wordpress.com/2013/11/22/ambulante-camelo-barraqueiro-qual-o-seu-lugar-na-cidade/
http://cidadesparapessoas.com/como-incentivar-a-inovacao-na-gestao-da-sua-cidade/

A maldição da única resposta certa por Natália Garcia | 7 de setembro de 2015 |  palestra apresentada no TEDxFloripa




Projeto Cicloviário - Circuito Cultural Ribeira







Projeto: Projeto Executivo de Sinalização Cicloviária Circuito Cultural
Cliente: Prefeitura Municipal do Natal - STTU - Secretaria de Trânsito e Mobilidade Urbana
Local: Ribeira/Rocas/Santos Reis - Natal - RN
Data: 2016

Sinalização Cond. Residencial Pirangi Villas

Projeto: Sinalização Ambiental Condomínio Residencial Pirangi Villas
Cliente: Construtora Ramalho Moreira
Local: Praia de Pirangi - Parnamirim - RN
Data: 2015

Sinalização Solar Berquó - Salvador - BA


Projeto: Sinalização Ambiental Solar Berquó - Sede do Iphan/BA
Cliente: IPHAN-BA / Domo Arquitetura e Engenharia
Local: Centro Histórico Salvador - BA
Data: 2015

Sinalização Centro Técnico do Iphan - Salvador - BA


Projeto: Sinalização Ambiental Centro Técnico do Iphan
Cliente: IPHAN-BA / Domo Arquitetura e Engenharia
Local: Salvador-BA
Data: 2015

Sinalização Igreja da Saúde e Glória - Salvador - BA


Projeto: Sinalização Igreja da Saúde e Glória
Cliente: IPHAN-BA / Domo Arquitetura e Engenharia
Local: Centro Histórico - Salvador - BA
Data: 2015